sábado, 7 de janeiro de 2012
O livro verde
Juntou tudo. Sensibilidade inata, TPM, ansiedade de
concurseira e falta de dinheiro. Fui à Livraria como qualquer outro dia
corriqueiro da minha vida. Impressiono-me com os mesmos livros, capas e
sinopses e consigo paquerá-los tal como se estivesse os vendo pela primeira
vez. É minha paixão. Aquele cheirinho de página nova, as letras saltitantes e
ansiosas por leitores viciados, a grossura, o tamanho, a cor, o formato... E
aquele livro, em especial, chamou-me a atenção. Era verde – apesar de já tão
maduro, devido à vivência e experiência jurídica do seu autor. Li as 15
primeiras páginas, reli o sumário umas seis vezes. Sabia que era um livro
importante e que me ajudaria bastante com os estudos para esta nova fase da minha
vida. Eu o devoraria com fervor, rabiscos e marca-textos. Muito me assustei,
contudo, com o seu preço: R$89,00 (oitenta e nove contos!). Encarei-o com
sobriedade. Sabia que não poderia comprá-lo. O cartão de crédito (atrasado e “comendo”
juros) dormia em algum lugar perdido da minha casa. Eu estava só com o cartão
de débito – o único que utilizo há alguns meses, enquanto não regularizo minhas
contas. Não era suficiente. Alisei a sua capa, em forma de despedida, e
dirigi-me à prateleira, colocando-o no mesmo lugar de antes. Ele parecia
cambaleante e, por isso, recoloquei-o de pé bem carinhosamente, para não
amassá-lo ou machucá-lo de algum modo. Senti uma tristeza tomar conta do meu
peito quando saí da loja. Silenciei um choro que, para muitas pessoas, nada
significa porque ninguém sabe o que se passa aqui dentro. Tantas outras pessoas
querendo roupas, calçados, maquiagem... Eu queria um livro. Enxuguei as
lágrimas ainda nos olhos, evitando que elas pudessem cair, e me propus a pensar
positivamente. Aquele era mais um empurrãozinho diante da minha luta diária em
conseguir um emprego logo, logo, logo, logo. Lembrei-me da cartolina colada na
parede do meu “quarto de estudos”, onde havia recortes de revistas e frases
referentes aos sonhos que eu quero realizar. Dentre eles, lá estava um dos desejos:
“comprar quantos eu livros eu quiser”. Encostei a cabeça no vidro do carro e
acreditei que seria apenas questão de tempo. Peguei o livro de Direito Civil e
meti-me a estudar, embora o automóvel ainda estivesse em movimento. A vida não é
fácil. Só me resta torná-la menos difícil
honestamente... Estudando.
Sara Albuquerque.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Culpa da Lua (Retrospectiva 2011)
2011 foi um ano repleto de conquistas. As pessoas dizem que nasci com o “bumbum virado pra lua” e, seja lá o que for que isso signifique, a sorte realmente bateu em minha porta este ano.
Comecei o ano “sem me dar férias”, pois estava estudando para o Concurso Público da Universidade Federal de Alagoas para o cargo de Assistente em Administração (nível médio). Inclusive, estes tempos culminaram na crônica “Estudar Emagrece”, escrita em Fevereiro deste ano. Achei que não tinha obtido êxito na seleção, mas, para minha surpresa e felicidade, fui classificada em 45º lugar – o que, em outra situação de concurso, seria ruim; mas frente à quantidade de vagas e aposentadorias que estão surgindo, breve, breve, serei servidora pública federal efetiva. Isto me deixa com uma sensação maravilhosa no peito, além de aumentar a auto-estima e o pensamento positivo diante das próximas batalhas do caminho. E claro: uma segurança boa de não estar desempregada, após o término da faculdade. Acho que o ponto está em acreditar em si mesmo, pois isto é essencial para o início de qualquer luta.
Em Março, mais uma conquista: consegui a Monitoria de Direito do Trabalho que tanto queria. Primeiro lugar! E por tão poucos décimos. Nossa! A monitoria me ajudou muito a lidar com os professores e a desenvolver atividades acadêmicas. Como resultado, ainda fiz uma pesquisa sobre os trabalhadores avulsos que laboram no Porto aqui do Município de Maceió. Foi precípuo para meu aprendizado e crescimento pessoal. Ainda em Março, proferi a minha primeira Palestra sobre “Mulheres em Movimento” no Ministério Público do Trabalho de Alagoas – abrindo as portas para meus trabalhos também como palestrante.
Na literatura, o meu livro infantil “O segredo do Rio Mundaú” foi publicado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos – fruto do Concurso do I Edital de Livros Infantil. O lançamento na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas me inseriu no Mundo da Literatura de Gente grande, oferecendo-me uma esfera de oportunidades para a divulgação do meu trabalho neste ramo. Entrevistas, fotos, convites, outras palestras... Tudo tão novo e diferente para mim. Agora, sou Sócia-Colaboradora da Academia Palmeirense de Letras (isso mesmo! A Academia de Graciliano Ramos). E para completar com “chave de ouro”, meu livro infantil já foi adotado como paradidático nos Colégios Objetivo e Madalena Sofia. Poderia ser melhor?
Retornando ao mundo acadêmico, concluí a minha Pesquisa Científica sobre Polícia Comunitária no Município de Maceió e, junto com minha amiga-de-todas-as-horas, fizemos uma excelente e ousada apresentação no Congresso Acadêmico da UFAL. Os corredores que o digam!
E o melhor de tudo: estou estagiando no Ministério Público Federal – que me abriu portas para retornar aos livros jurídicos com mais fulgor, obrigando-me a rever matérias como Previdenciário, Penal, Processo Penal (disciplinas que eu sempre deixei “um pouco de lado” e agora estou tendo que aprender na marra). Gosto disso. Chegaria uma hora que eu teria que apreender tudo mesmo, então, que seja na prática jurídica!
Contudo, todas estas vitórias (será que posso chamar assim?) não fariam sentido se eu não tivesse tantas pessoas ao meu redor para compartilhar comigo. Todas as pequenas ou grandes alegrias que vivenciei não foram apenas minhas, mas também dos meus amigos e familiares. Conheci pessoas maravilhosas este ano – que podem, inclusive, transformar a minha vida de um modo positivo. Devo muito a elas. E é por isto que acredito que 2011 foi um ano de sorte. Não é ser sortuda demais poder contar com os amigos?
Sem dúvida, foi um ano extremamente cansativo. Mas acho que, no final, valeu a pena. Que venha, então, 2012 – que será bem melhor que 2011 se depender desta força interior que se move dentro de mim.
Sara Albuquerque.
P.S.: Agradeço a todos os meus amigos da Fábrica de Palavra, de quem sempre pude obter uma palavra de apoio, de crítica sincera e de carinho.
Comecei o ano “sem me dar férias”, pois estava estudando para o Concurso Público da Universidade Federal de Alagoas para o cargo de Assistente em Administração (nível médio). Inclusive, estes tempos culminaram na crônica “Estudar Emagrece”, escrita em Fevereiro deste ano. Achei que não tinha obtido êxito na seleção, mas, para minha surpresa e felicidade, fui classificada em 45º lugar – o que, em outra situação de concurso, seria ruim; mas frente à quantidade de vagas e aposentadorias que estão surgindo, breve, breve, serei servidora pública federal efetiva. Isto me deixa com uma sensação maravilhosa no peito, além de aumentar a auto-estima e o pensamento positivo diante das próximas batalhas do caminho. E claro: uma segurança boa de não estar desempregada, após o término da faculdade. Acho que o ponto está em acreditar em si mesmo, pois isto é essencial para o início de qualquer luta.
Em Março, mais uma conquista: consegui a Monitoria de Direito do Trabalho que tanto queria. Primeiro lugar! E por tão poucos décimos. Nossa! A monitoria me ajudou muito a lidar com os professores e a desenvolver atividades acadêmicas. Como resultado, ainda fiz uma pesquisa sobre os trabalhadores avulsos que laboram no Porto aqui do Município de Maceió. Foi precípuo para meu aprendizado e crescimento pessoal. Ainda em Março, proferi a minha primeira Palestra sobre “Mulheres em Movimento” no Ministério Público do Trabalho de Alagoas – abrindo as portas para meus trabalhos também como palestrante.
Na literatura, o meu livro infantil “O segredo do Rio Mundaú” foi publicado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos – fruto do Concurso do I Edital de Livros Infantil. O lançamento na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas me inseriu no Mundo da Literatura de Gente grande, oferecendo-me uma esfera de oportunidades para a divulgação do meu trabalho neste ramo. Entrevistas, fotos, convites, outras palestras... Tudo tão novo e diferente para mim. Agora, sou Sócia-Colaboradora da Academia Palmeirense de Letras (isso mesmo! A Academia de Graciliano Ramos). E para completar com “chave de ouro”, meu livro infantil já foi adotado como paradidático nos Colégios Objetivo e Madalena Sofia. Poderia ser melhor?
Retornando ao mundo acadêmico, concluí a minha Pesquisa Científica sobre Polícia Comunitária no Município de Maceió e, junto com minha amiga-de-todas-as-horas, fizemos uma excelente e ousada apresentação no Congresso Acadêmico da UFAL. Os corredores que o digam!
E o melhor de tudo: estou estagiando no Ministério Público Federal – que me abriu portas para retornar aos livros jurídicos com mais fulgor, obrigando-me a rever matérias como Previdenciário, Penal, Processo Penal (disciplinas que eu sempre deixei “um pouco de lado” e agora estou tendo que aprender na marra). Gosto disso. Chegaria uma hora que eu teria que apreender tudo mesmo, então, que seja na prática jurídica!
Contudo, todas estas vitórias (será que posso chamar assim?) não fariam sentido se eu não tivesse tantas pessoas ao meu redor para compartilhar comigo. Todas as pequenas ou grandes alegrias que vivenciei não foram apenas minhas, mas também dos meus amigos e familiares. Conheci pessoas maravilhosas este ano – que podem, inclusive, transformar a minha vida de um modo positivo. Devo muito a elas. E é por isto que acredito que 2011 foi um ano de sorte. Não é ser sortuda demais poder contar com os amigos?
Sem dúvida, foi um ano extremamente cansativo. Mas acho que, no final, valeu a pena. Que venha, então, 2012 – que será bem melhor que 2011 se depender desta força interior que se move dentro de mim.
Sara Albuquerque.
P.S.: Agradeço a todos os meus amigos da Fábrica de Palavra, de quem sempre pude obter uma palavra de apoio, de crítica sincera e de carinho.
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domingo, 25 de dezembro de 2011
Ela vai casar
Mastiguei um susto quando soube. “Óbvio que ela não está grávida”, pensei. Casamentos não acontecem mais por este motivo – pelo menos não a maioria, como ocorria antigamente. Depois de tanto tempo convivendo juntas, perdemos o contato telefônico, orkutiano, facebookense etc. As circunstâncias do nosso afastamento foram realmente fortes, mas ainda pensei que a amizade tivesse “jeito”, mesmo achando (quase 99%) que eu fazia mais questão disso do que ela. Deixei que o tempo, então, ditasse as regras e hoje mal nos falamos, apesar de ainda guardar um carinho muito especial por tudo aquilo que vivemos.
Pois é. Vai casar. Vinte e poucos anos. Ou melhor: vinte e “bem pouquinho mesmo” anos. Fiquei tão empolgada ao saber que ela estava bem, que estava tão segura e determinada a dar este passo. Minha vontade foi de telefoná-la e dizer o quanto eu a admirava e desejava que ela fosse feliz. Contudo, evitei. Mantive minhas expressões de alegria para mim mesma, já que não queria que ela se sentisse constrangida a me convidar para seu casamento. Nem era esta minha intenção. Queria apenas que soubesse dos meus votos de felicitações e de torcida.
Ora, não é fácil tomar uma decisão como esta. E digo isto por mim. Sou romântica de carteirinha e não nego. Sonho com casamento, luas de mel, baby dolls sexys, acordar e dormir juntos, filhos e todo aquele stress diário, em que vão haver momentos de “ficar de mal”, de “pedir desculpas” e “de saber que escolheu a pessoa certa para estar ao seu lado, mesmo que ele esqueça de fechar a tampa do vaso sanitário”. Eu sei que poderia conviver com tudo isso numa boa. Mas não agora.
Quando penso em casórios, imagino-me, no mínimo, com mais vincas no rosto – mesmo que isto não seja algo de que possa me orgulhar. Um compromisso deste “peso” me deixa assustada e sou capaz de fingir que não entendi e me fazer de lesada se alguém me pedisse em casamento hoje. Não sei do que se trata. Talvez, não esteja ainda madura o suficiente para me sentir segura. Além do mais, eu nem sei cozinhar direito e dormir “a dois” ainda me deixa desconfortável – minha irmã sabe bem disso. Segurança tem a ver com amor. Deve ter sim. O anel de compromisso, em que pese ser apenas um símbolo, é a prova de que assumi a responsabilidade de fazer a outra pessoa a mais feliz deste mundo para todo o sempre...
Costumo pesar os pós e contras de um amanhã depois de casada. Infelizmente ou não, ainda não me despertaram esta vontade insaciável de fazer dar certo independente das circunstâncias. E, talvez, quando isto acontecer, eu não sinta tanto medo do futuro imprevisível e diverso dos livros de romance que leio com frequência. Mas, hoje, vestido branco e buquês estão longe das minhas perspectivas imediatas.
Que bom que para Ela não é assim. Posso até sentir suas expectativas nas fotos que andei fuçando na internet. Embora Ela nunca saiba o quanto eu desejo que ela esteja bem, um dia, se nos cruzarmos pelas ruas da cidade, vou lhe dirigir um sorriso sincero ao invés de fingir que não a vi e atravessar a rua. E espero que, naquele momento, ela perceba que, mesmo longe, eu estou realmente feliz em vê-la crescer.
Sara Albuquerque.
Pois é. Vai casar. Vinte e poucos anos. Ou melhor: vinte e “bem pouquinho mesmo” anos. Fiquei tão empolgada ao saber que ela estava bem, que estava tão segura e determinada a dar este passo. Minha vontade foi de telefoná-la e dizer o quanto eu a admirava e desejava que ela fosse feliz. Contudo, evitei. Mantive minhas expressões de alegria para mim mesma, já que não queria que ela se sentisse constrangida a me convidar para seu casamento. Nem era esta minha intenção. Queria apenas que soubesse dos meus votos de felicitações e de torcida.
Ora, não é fácil tomar uma decisão como esta. E digo isto por mim. Sou romântica de carteirinha e não nego. Sonho com casamento, luas de mel, baby dolls sexys, acordar e dormir juntos, filhos e todo aquele stress diário, em que vão haver momentos de “ficar de mal”, de “pedir desculpas” e “de saber que escolheu a pessoa certa para estar ao seu lado, mesmo que ele esqueça de fechar a tampa do vaso sanitário”. Eu sei que poderia conviver com tudo isso numa boa. Mas não agora.
Quando penso em casórios, imagino-me, no mínimo, com mais vincas no rosto – mesmo que isto não seja algo de que possa me orgulhar. Um compromisso deste “peso” me deixa assustada e sou capaz de fingir que não entendi e me fazer de lesada se alguém me pedisse em casamento hoje. Não sei do que se trata. Talvez, não esteja ainda madura o suficiente para me sentir segura. Além do mais, eu nem sei cozinhar direito e dormir “a dois” ainda me deixa desconfortável – minha irmã sabe bem disso. Segurança tem a ver com amor. Deve ter sim. O anel de compromisso, em que pese ser apenas um símbolo, é a prova de que assumi a responsabilidade de fazer a outra pessoa a mais feliz deste mundo para todo o sempre...
Costumo pesar os pós e contras de um amanhã depois de casada. Infelizmente ou não, ainda não me despertaram esta vontade insaciável de fazer dar certo independente das circunstâncias. E, talvez, quando isto acontecer, eu não sinta tanto medo do futuro imprevisível e diverso dos livros de romance que leio com frequência. Mas, hoje, vestido branco e buquês estão longe das minhas perspectivas imediatas.
Que bom que para Ela não é assim. Posso até sentir suas expectativas nas fotos que andei fuçando na internet. Embora Ela nunca saiba o quanto eu desejo que ela esteja bem, um dia, se nos cruzarmos pelas ruas da cidade, vou lhe dirigir um sorriso sincero ao invés de fingir que não a vi e atravessar a rua. E espero que, naquele momento, ela perceba que, mesmo longe, eu estou realmente feliz em vê-la crescer.
Sara Albuquerque.
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1 Artesanato(s)
Já
Em e Dex. Dex e Em. Vou sentir saudade do casal que me arrancou sorrisos e lágrimas durante estes cinco dias. Cansada de ler artigos e textos jurídicos, permiti-me iniciar uma leitura diversa de quaisquer “recursos ordinários trabalhistas”, “contratos de shopping” ou “sucessões testamentárias”. Como presente de amigo secreto – já sondado anteriormente – ganhei o romance “Um dia” de David Nicholls. Perfeito: havia arranjado o livro de 400 páginas com o qual me concentraria nas minhas férias de cinco dias. Não... Lógico que não tenho dois meses de férias, mesmo tendo a felicidade de não reavaliar nenhuma disciplina neste oitavo semestre (o que me deixou com um grande orgulho de mim mesma somado ao alívio irônico desses “pontinhos” de trabalhos que os professores acrescentam nas provas) e, claro, mesmo estando em recesso jurídico no estágio.
Pois bem. É a verdade. Sinto muito, mas é verdade. Chega um momento das nossas vidas que as “férias” da Faculdade são o palco ideal para outros afazeres outrora tão apertados na rotina do corre-corre-diário. E quando se trata do final da Faculdade, então... A impressão é de que as cobranças e as responsabilidades se multiplicam como uma potenciação elevada à quinta. O Trabalho de Conclusão de Curso, os projetos de divulgação do meu livro infantil, os estudos para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, os concursos públicos, a manutenção da Fábrica de Palavras. Vou colocar um ponto final nisto aqui se não ficarei desesperada e não conseguirei concluir este texto-crônica-desabafo frente à possibilidade de reticências.
De um modo particular, quero aproveitar este último ano do curso de Direito, mormente no que diz respeito às minhas amizades. Minha sala de aula – aos trancos e barrancos – chega ao 5º ano e me questiono para onde aquelas cinqüenta pessoas irão nos próximos anos. E não é se ficarão gordas, mesquinhas ou felizes, mas sim como cada um de nós vai ter “botar sua mola” para arranjar um emprego, exercer a advocacia ou sei lá o que. Então, sei que, neste último ano, terei que me esforçar para dar conta de todos os meus afazeres e curtir (que não no facebook) cada companhia, cada amizade que a Universidade me deixou consolidar.
É claro que não passarei estes dois meses atolada no Código Penal e Processo Penal – pra ver se aprendo o que não apreendi em quatro anos -, afinal, já fiz a lista de museus que quero visitar e diversões que quero apreciar neste ínterim. Todavia, sei que estes meses requerem de mim um esforço voltado aos estudos. Dessa vez, de forma mais, mais intensa ainda do que antes. E estou disposta a deferir este pleito a mim mesma.
Para conseguir tudo isto, porém, preciso ter mais autoconfiança. Sei disso. Sempre acho que posso ser ou fazer melhor e nunca fico suficientemente satisfeita com meus trabalhos. Não tenho dúvida de que se Papai Noel me aumentasse o dia para 30 horas, eu, logo, logo, estaria desejando que o dia tivesse 36 horas e assim sucessivamente... Hum.
Ok, Srta. Sara, vamos começar, não é? Você consegue. Vamos tentar.
1,2,3 e...
Sara Albuquerque.
Pois bem. É a verdade. Sinto muito, mas é verdade. Chega um momento das nossas vidas que as “férias” da Faculdade são o palco ideal para outros afazeres outrora tão apertados na rotina do corre-corre-diário. E quando se trata do final da Faculdade, então... A impressão é de que as cobranças e as responsabilidades se multiplicam como uma potenciação elevada à quinta. O Trabalho de Conclusão de Curso, os projetos de divulgação do meu livro infantil, os estudos para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, os concursos públicos, a manutenção da Fábrica de Palavras. Vou colocar um ponto final nisto aqui se não ficarei desesperada e não conseguirei concluir este texto-crônica-desabafo frente à possibilidade de reticências.
De um modo particular, quero aproveitar este último ano do curso de Direito, mormente no que diz respeito às minhas amizades. Minha sala de aula – aos trancos e barrancos – chega ao 5º ano e me questiono para onde aquelas cinqüenta pessoas irão nos próximos anos. E não é se ficarão gordas, mesquinhas ou felizes, mas sim como cada um de nós vai ter “botar sua mola” para arranjar um emprego, exercer a advocacia ou sei lá o que. Então, sei que, neste último ano, terei que me esforçar para dar conta de todos os meus afazeres e curtir (que não no facebook) cada companhia, cada amizade que a Universidade me deixou consolidar.
É claro que não passarei estes dois meses atolada no Código Penal e Processo Penal – pra ver se aprendo o que não apreendi em quatro anos -, afinal, já fiz a lista de museus que quero visitar e diversões que quero apreciar neste ínterim. Todavia, sei que estes meses requerem de mim um esforço voltado aos estudos. Dessa vez, de forma mais, mais intensa ainda do que antes. E estou disposta a deferir este pleito a mim mesma.
Para conseguir tudo isto, porém, preciso ter mais autoconfiança. Sei disso. Sempre acho que posso ser ou fazer melhor e nunca fico suficientemente satisfeita com meus trabalhos. Não tenho dúvida de que se Papai Noel me aumentasse o dia para 30 horas, eu, logo, logo, estaria desejando que o dia tivesse 36 horas e assim sucessivamente... Hum.
Ok, Srta. Sara, vamos começar, não é? Você consegue. Vamos tentar.
1,2,3 e...
Sara Albuquerque.
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domingo, 18 de dezembro de 2011
Espera
Conversas quando precisas são duras.
Mas trazem frutos.
Bons ou ruins.
Estou com uma esperançazinha no peito.
Uma vela quase apagada. Ainda acesa.
Espero que não seja em vão.
Não dessa vez.
Pois eu prometi a mim mesma...
Mindinho da direita com Mindinho da esquerda
Que seria mais uma chance de um “nó” no plural.
Mais uma chance pro amor.
Sara Albuquerque.
Mas trazem frutos.
Bons ou ruins.
Estou com uma esperançazinha no peito.
Uma vela quase apagada. Ainda acesa.
Espero que não seja em vão.
Não dessa vez.
Pois eu prometi a mim mesma...
Mindinho da direita com Mindinho da esquerda
Que seria mais uma chance de um “nó” no plural.
Mais uma chance pro amor.
Sara Albuquerque.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Estado de Choque
Sentia o corpo todo formigar, desde a ponta dos dedos dos pés até a testa. Ela não estava ali. Seus pensamentos viajavam nas suas últimas 24h. Três horas de sono, uma madrugada de estudos, uma boa nota na avaliação da faculdade, estágio cansativo, alguns minutos de espera, pizza de calabresa... Solidão.
Ninguém lhe telefonara ou mandara recadinhos afetuosos. Ninguém para afastar a cadeira do jantar ou perguntar se ela queria ajuda para lavar os pratos. Ninguém sentaria ao lado e lhe faria cafuné enquanto ela contava sobre aquele extenso mês de dezembro. Ninguém lhe cantaria uma música ou faria peripécias para vê-la sorrir. Ninguém para tão somente compreender em vez de julgar. Ninguém para fazê-la se sentir querida, única, importante.
Estavam todos perto e, ao mesmo tempo, longe. Deitada naquele quarto, ela vislumbrava alguns rostos amigos para quem ela poderia telefonar, mandar um torpedo, um recadinho off-line no Facebook. Mas não queria incomodá-los com seu sentimento triste que, em breve, passaria e, como de costume, voltaria com mais intensidade no final da noite. Assim: exatamente como agora.
Quando começou a perceber de volta o seu corpo estátua na cama, recobrou a consciência de que deveria dormir. Não adiantaria ficar pensando ou remoendo pensamentos solitários. Derramou algumas lágrimas no travesseiro e, com os olhos queimando, orou com intensidade pedindo que o dia seguinte fosse melhor... E que, por uma obra divina, esta tristeza acumulada no seu peito fosse levada embora o quanto antes, para que ela voltasse a se sentir bem consigo mesma quando estivesse só.
Ninguém lhe telefonara ou mandara recadinhos afetuosos. Ninguém para afastar a cadeira do jantar ou perguntar se ela queria ajuda para lavar os pratos. Ninguém sentaria ao lado e lhe faria cafuné enquanto ela contava sobre aquele extenso mês de dezembro. Ninguém lhe cantaria uma música ou faria peripécias para vê-la sorrir. Ninguém para tão somente compreender em vez de julgar. Ninguém para fazê-la se sentir querida, única, importante.
Estavam todos perto e, ao mesmo tempo, longe. Deitada naquele quarto, ela vislumbrava alguns rostos amigos para quem ela poderia telefonar, mandar um torpedo, um recadinho off-line no Facebook. Mas não queria incomodá-los com seu sentimento triste que, em breve, passaria e, como de costume, voltaria com mais intensidade no final da noite. Assim: exatamente como agora.
Quando começou a perceber de volta o seu corpo estátua na cama, recobrou a consciência de que deveria dormir. Não adiantaria ficar pensando ou remoendo pensamentos solitários. Derramou algumas lágrimas no travesseiro e, com os olhos queimando, orou com intensidade pedindo que o dia seguinte fosse melhor... E que, por uma obra divina, esta tristeza acumulada no seu peito fosse levada embora o quanto antes, para que ela voltasse a se sentir bem consigo mesma quando estivesse só.
Sara Albuquerque.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Questões Nulas
Quando você perceber que o caminho não é tão fácil nem seguro, você vai resolver voltar ou estará ao meu lado até o fim? E se não for o que estava pensando? Caso eu te conte das minhas loucuras e te convide para compartilhar uma delas comigo, você, num momento de lucidez, jogará minhas ilusões malucas “na minha cara” ou irá respeitar meu jeito puro de imaginar? Quando você crescer, será igual a mim ou quererá que eu seja igual a você? Se eu quiser chorar e passar quatro dias seguidos sem falar contigo, atender telefonemas ou demonstrar carinho, você aguentaria? Se eu deixasse pra lá... Se pisasse na bola... Se não corresse atrás? Se eu não te desse a certeza de um amanhã feliz? Até onde mesmo você iria por mim?
Sara Albuquerque.
Sara Albuquerque.
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