domingo, 20 de dezembro de 2009

Daquilo que eu não quero dizer

Vá embora! Suma! Não fale comigo.

Finja que eu não sou importante e que tudo foi irracional.

Esqueça os meus sonhos e minhas músicas.

Deixe-o para sempre mudo.

Rasgue as fotos e esconda os bilhetes.

Minta sobre mim.

Diga que eu pressionei, que eu não tive paciência, que eu sou a pior mulher do mundo.

Revele que eu forcei situações e sentimentos.

Não mande beijos, não deseje flores.

Veja meus espinhos, minha pele enrugada, meus pés calejados.

Peça-me para não lembrar.

Exija a minha ausência.

Queira o fim do que não existiu.

Ameace-me de planos malucos.

Bloqueie os meus pensamentos.

Teste minha confiança.

Não me espere.

Suspenda minhas chances, meus desafios, meu dia-a-dia nada empolgante.

Grite aos quatro ventos que nunca me amou...

E que você ficará melhor sem mim.

Ou não.


Sara Albuquerque.

Incomunicável

Sabe quando você não quer falar sobre um determinado assunto?

Acredito que isto deva acontecer com as pessoas em geral. Espero não ser a única... Este espaço serve para que eu descubra que existem pessoas que também complicam, que também fogem, que sentem e não se expressam. Falo em sinceridade, sob um prisma de que devo ser verdadeira com os meus próprios sentimentos. Sei que, à medida que eu siga meu coração, serei também sincera com os outros. Mas e quando seu coração está confuso? E se você não sabe ao certo como se pronunciar, sem machucar ninguém? A confusão seria normal, se não fosse tão densamente angustiante.

Queria que fosse tão fácil como fazer pedidos às estrelas cadentes: em algum lugar dentro de si, você acredita que eles podem realmente acontecer. Aí eu não quero falar sobre isso ou aquilo e escrevo... Novamente, a tentativa de organizar os pensamentos inconstantes. O resultado é um nada tão concreto, que percebo. Sim. Percebo o nada real.

Parece tão perfeito fugir da confusão. Não se toca na ferida, não se emergem dúvidas, não se exige compreensão. Somente isso: não diga uma palavra que me aproxime mais de você. Deixe-me esclarecer o meu buraco negro... Sozinha. Perder faz parte. Amar também. Querer estar perto também... Tão bem.

Sara Albuquerque.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Apego ao Real

Meu romantismo é digno de ser escrito em livros, em blogues desnudos, em papéis amarelados, em diários de todos-os-dias. Só. Não sei se adquiri ou se isto nasceu comigo. Talvez, tenha sido o complemento um do outro que me fez ser assim. É maravilhoso ser romântica... Gosto e me sinto bem com esta característica. Mas confesso: é preciso encarar o mundo real como o próprio nome já dá ênfase. A realidade... Esta sim nos faz tomar as decisões mais certeiras. Foi quando passei a fazer minhas escolhas em cima do que eu estava realmente vendo (e não do que eu imaginava ou supervalorizava), que eu passei a ser mais feliz. Tive que ser mais contida, o que evitou que infinitas precipitações viessem a concretizarem-se e que menos corações fossem machucados. É claro que um toque de romance não faz mal nenhum, contudo, esteja com os “dois olhos abertos” e “os pés no chão”, quando for viver e decidir algo pra seu futuro.


Sonhe, se for correspondida.

Entregue-se, se for recíproco.

Planejem juntos, se lhe estimularem.

Mas não faça nada disso, se seu coração estiver em dúvida. Veja o que é concreto, mesmo que materialmente abstrato, e se apegue a ele. Try to discover what you really feel, before decide everything...


Sara Albuquerque.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O-telefone-chamado-encontra-se-desligado-ou-fora-da-área-de-corbetura.

“- Sabe a garota do copo d'água?

- Sei.

- Se parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.

- Em alguém do quadro?

- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.

- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.

- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.

- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?”

(O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)


Meus melhores textos, em minha opinião, são quando estou triste, angustiada, confusa, infeliz, insatisfeita, com insônia, com preguiça, sem pudores, sem cabeça, sem palavras selecionadas... Só com o coração. Um estilo um tanto à la segunda geração do Romantismo brasileiro. Um tanto sem nada de receios interiores de esbanjar o que se passa aqui dentro. É assim que estou agora. Deixei aquele obeso livro laranja de Processo Civil em cima da escrivaninha, onde me aguardam os estudos, e vim escrever. Não sei quais frases eu irei colocar aqui, porque não quero... Não quero... Aff! Não importa o que eu não quero. O que eu quero mesmo é que você ligue este telefone, para que eu possa conversar com você e desejar uma “boa noite”. O que eu quero é que esta sementezinha de esperança que nasceu dentro de mim não se apague. O que eu quero é que estas malditas 24 horas passem logo. O que eu quero é poder olhar dentro dos seus olhos secretos e afirmar que “tudo está bem”. O que eu quero é que você me escute, compreenda e perceba que eu não posso encarar situações das quais eu desconheço. O que eu quero é que você me dê um pouquinho de você, assim como estou tentando dar o meu máximo, diante de todas as circunstâncias.


Sara Albuquerque.