sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Culpa da Lua (Retrospectiva 2011)

2011 foi um ano repleto de conquistas. As pessoas dizem que nasci com o “bumbum virado pra lua” e, seja lá o que for que isso signifique, a sorte realmente bateu em minha porta este ano.

Comecei o ano “sem me dar férias”, pois estava estudando para o Concurso Público da Universidade Federal de Alagoas para o cargo de Assistente em Administração (nível médio). Inclusive, estes tempos culminaram na crônica “Estudar Emagrece”, escrita em Fevereiro deste ano. Achei que não tinha obtido êxito na seleção, mas, para minha surpresa e felicidade, fui classificada em 45º lugar – o que, em outra situação de concurso, seria ruim; mas frente à quantidade de vagas e aposentadorias que estão surgindo, breve, breve, serei servidora pública federal efetiva. Isto me deixa com uma sensação maravilhosa no peito, além de aumentar a auto-estima e o pensamento positivo diante das próximas batalhas do caminho. E claro: uma segurança boa de não estar desempregada, após o término da faculdade. Acho que o ponto está em acreditar em si mesmo, pois isto é essencial para o início de qualquer luta.

Em Março, mais uma conquista: consegui a Monitoria de Direito do Trabalho que tanto queria. Primeiro lugar! E por tão poucos décimos. Nossa! A monitoria me ajudou muito a lidar com os professores e a desenvolver atividades acadêmicas. Como resultado, ainda fiz uma pesquisa sobre os trabalhadores avulsos que laboram no Porto aqui do Município de Maceió. Foi precípuo para meu aprendizado e crescimento pessoal. Ainda em Março, proferi a minha primeira Palestra sobre “Mulheres em Movimento” no Ministério Público do Trabalho de Alagoas – abrindo as portas para meus trabalhos também como palestrante.

Na literatura, o meu livro infantil “O segredo do Rio Mundaú” foi publicado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos – fruto do Concurso do I Edital de Livros Infantil. O lançamento na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas me inseriu no Mundo da Literatura de Gente grande, oferecendo-me uma esfera de oportunidades para a divulgação do meu trabalho neste ramo. Entrevistas, fotos, convites, outras palestras... Tudo tão novo e diferente para mim. Agora, sou Sócia-Colaboradora da Academia Palmeirense de Letras (isso mesmo! A Academia de Graciliano Ramos). E para completar com “chave de ouro”, meu livro infantil já foi adotado como paradidático nos Colégios Objetivo e Madalena Sofia. Poderia ser melhor?

Retornando ao mundo acadêmico, concluí a minha Pesquisa Científica sobre Polícia Comunitária no Município de Maceió e, junto com minha amiga-de-todas-as-horas, fizemos uma excelente e ousada apresentação no Congresso Acadêmico da UFAL. Os corredores que o digam!

E o melhor de tudo: estou estagiando no Ministério Público Federal – que me abriu portas para retornar aos livros jurídicos com mais fulgor, obrigando-me a rever matérias como Previdenciário, Penal, Processo Penal (disciplinas que eu sempre deixei “um pouco de lado” e agora estou tendo que aprender na marra). Gosto disso. Chegaria uma hora que eu teria que apreender tudo mesmo, então, que seja na prática jurídica!

Contudo, todas estas vitórias (será que posso chamar assim?) não fariam sentido se eu não tivesse tantas pessoas ao meu redor para compartilhar comigo. Todas as pequenas ou grandes alegrias que vivenciei não foram apenas minhas, mas também dos meus amigos e familiares. Conheci pessoas maravilhosas este ano – que podem, inclusive, transformar a minha vida de um modo positivo. Devo muito a elas. E é por isto que acredito que 2011 foi um ano de sorte. Não é ser sortuda demais poder contar com os amigos?
Sem dúvida, foi um ano extremamente cansativo. Mas acho que, no final, valeu a pena. Que venha, então, 2012 – que será bem melhor que 2011 se depender desta força interior que se move dentro de mim.

Sara Albuquerque.

P.S.: Agradeço a todos os meus amigos da Fábrica de Palavra, de quem sempre pude obter uma palavra de apoio, de crítica sincera e de carinho.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ela vai casar

Mastiguei um susto quando soube. “Óbvio que ela não está grávida”, pensei. Casamentos não acontecem mais por este motivo – pelo menos não a maioria, como ocorria antigamente. Depois de tanto tempo convivendo juntas, perdemos o contato telefônico, orkutiano, facebookense etc. As circunstâncias do nosso afastamento foram realmente fortes, mas ainda pensei que a amizade tivesse “jeito”, mesmo achando (quase 99%) que eu fazia mais questão disso do que ela. Deixei que o tempo, então, ditasse as regras e hoje mal nos falamos, apesar de ainda guardar um carinho muito especial por tudo aquilo que vivemos.

Pois é. Vai casar. Vinte e poucos anos. Ou melhor: vinte e “bem pouquinho mesmo” anos. Fiquei tão empolgada ao saber que ela estava bem, que estava tão segura e determinada a dar este passo. Minha vontade foi de telefoná-la e dizer o quanto eu a admirava e desejava que ela fosse feliz. Contudo, evitei. Mantive minhas expressões de alegria para mim mesma, já que não queria que ela se sentisse constrangida a me convidar para seu casamento. Nem era esta minha intenção. Queria apenas que soubesse dos meus votos de felicitações e de torcida.

Ora, não é fácil tomar uma decisão como esta. E digo isto por mim. Sou romântica de carteirinha e não nego. Sonho com casamento, luas de mel, baby dolls sexys, acordar e dormir juntos, filhos e todo aquele stress diário, em que vão haver momentos de “ficar de mal”, de “pedir desculpas” e “de saber que escolheu a pessoa certa para estar ao seu lado, mesmo que ele esqueça de fechar a tampa do vaso sanitário”. Eu sei que poderia conviver com tudo isso numa boa. Mas não agora.

Quando penso em casórios, imagino-me, no mínimo, com mais vincas no rosto – mesmo que isto não seja algo de que possa me orgulhar. Um compromisso deste “peso” me deixa assustada e sou capaz de fingir que não entendi e me fazer de lesada se alguém me pedisse em casamento hoje. Não sei do que se trata. Talvez, não esteja ainda madura o suficiente para me sentir segura. Além do mais, eu nem sei cozinhar direito e dormir “a dois” ainda me deixa desconfortável – minha irmã sabe bem disso. Segurança tem a ver com amor. Deve ter sim. O anel de compromisso, em que pese ser apenas um símbolo, é a prova de que assumi a responsabilidade de fazer a outra pessoa a mais feliz deste mundo para todo o sempre...

Costumo pesar os pós e contras de um amanhã depois de casada. Infelizmente ou não, ainda não me despertaram esta vontade insaciável de fazer dar certo independente das circunstâncias. E, talvez, quando isto acontecer, eu não sinta tanto medo do futuro imprevisível e diverso dos livros de romance que leio com frequência. Mas, hoje, vestido branco e buquês estão longe das minhas perspectivas imediatas.

Que bom que para Ela não é assim. Posso até sentir suas expectativas nas fotos que andei fuçando na internet. Embora Ela nunca saiba o quanto eu desejo que ela esteja bem, um dia, se nos cruzarmos pelas ruas da cidade, vou lhe dirigir um sorriso sincero ao invés de fingir que não a vi e atravessar a rua. E espero que, naquele momento, ela perceba que, mesmo longe, eu estou realmente feliz em vê-la crescer.

Sara Albuquerque.

Em e Dex. Dex e Em. Vou sentir saudade do casal que me arrancou sorrisos e lágrimas durante estes cinco dias. Cansada de ler artigos e textos jurídicos, permiti-me iniciar uma leitura diversa de quaisquer “recursos ordinários trabalhistas”, “contratos de shopping” ou “sucessões testamentárias”. Como presente de amigo secreto – já sondado anteriormente – ganhei o romance “Um dia” de David Nicholls. Perfeito: havia arranjado o livro de 400 páginas com o qual me concentraria nas minhas férias de cinco dias. Não... Lógico que não tenho dois meses de férias, mesmo tendo a felicidade de não reavaliar nenhuma disciplina neste oitavo semestre (o que me deixou com um grande orgulho de mim mesma somado ao alívio irônico desses “pontinhos” de trabalhos que os professores acrescentam nas provas) e, claro, mesmo estando em recesso jurídico no estágio.

Pois bem. É a verdade. Sinto muito, mas é verdade. Chega um momento das nossas vidas que as “férias” da Faculdade são o palco ideal para outros afazeres outrora tão apertados na rotina do corre-corre-diário. E quando se trata do final da Faculdade, então... A impressão é de que as cobranças e as responsabilidades se multiplicam como uma potenciação elevada à quinta. O Trabalho de Conclusão de Curso, os projetos de divulgação do meu livro infantil, os estudos para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, os concursos públicos, a manutenção da Fábrica de Palavras. Vou colocar um ponto final nisto aqui se não ficarei desesperada e não conseguirei concluir este texto-crônica-desabafo frente à possibilidade de reticências.

De um modo particular, quero aproveitar este último ano do curso de Direito, mormente no que diz respeito às minhas amizades. Minha sala de aula – aos trancos e barrancos – chega ao 5º ano e me questiono para onde aquelas cinqüenta pessoas irão nos próximos anos. E não é se ficarão gordas, mesquinhas ou felizes, mas sim como cada um de nós vai ter “botar sua mola” para arranjar um emprego, exercer a advocacia ou sei lá o que. Então, sei que, neste último ano, terei que me esforçar para dar conta de todos os meus afazeres e curtir (que não no facebook) cada companhia, cada amizade que a Universidade me deixou consolidar.

É claro que não passarei estes dois meses atolada no Código Penal e Processo Penal – pra ver se aprendo o que não apreendi em quatro anos -, afinal, já fiz a lista de museus que quero visitar e diversões que quero apreciar neste ínterim. Todavia, sei que estes meses requerem de mim um esforço voltado aos estudos. Dessa vez, de forma mais, mais intensa ainda do que antes. E estou disposta a deferir este pleito a mim mesma.

Para conseguir tudo isto, porém, preciso ter mais autoconfiança. Sei disso. Sempre acho que posso ser ou fazer melhor e nunca fico suficientemente satisfeita com meus trabalhos. Não tenho dúvida de que se Papai Noel me aumentasse o dia para 30 horas, eu, logo, logo, estaria desejando que o dia tivesse 36 horas e assim sucessivamente... Hum.

Ok, Srta. Sara, vamos começar, não é? Você consegue. Vamos tentar.

1,2,3 e...

Sara Albuquerque.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Espera

Conversas quando precisas são duras.
Mas trazem frutos.
Bons ou ruins.
Estou com uma esperançazinha no peito.
Uma vela quase apagada. Ainda acesa.
Espero que não seja em vão.
Não dessa vez.
Pois eu prometi a mim mesma...
Mindinho da direita com Mindinho da esquerda
Que seria mais uma chance de um “nó” no plural.
Mais uma chance pro amor.

Sara Albuquerque.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Estado de Choque

Sentia o corpo todo formigar, desde a ponta dos dedos dos pés até a testa. Ela não estava ali. Seus pensamentos viajavam nas suas últimas 24h. Três horas de sono, uma madrugada de estudos, uma boa nota na avaliação da faculdade, estágio cansativo, alguns minutos de espera, pizza de calabresa... Solidão.

Ninguém lhe telefonara ou mandara recadinhos afetuosos. Ninguém para afastar a cadeira do jantar ou perguntar se ela queria ajuda para lavar os pratos. Ninguém sentaria ao lado e lhe faria cafuné enquanto ela contava sobre aquele extenso mês de dezembro. Ninguém lhe cantaria uma música ou faria peripécias para vê-la sorrir. Ninguém para tão somente compreender em vez de julgar. Ninguém para fazê-la se sentir querida, única, importante.

Estavam todos perto e, ao mesmo tempo, longe. Deitada naquele quarto, ela vislumbrava alguns rostos amigos para quem ela poderia telefonar, mandar um torpedo, um recadinho off-line no Facebook. Mas não queria incomodá-los com seu sentimento triste que, em breve, passaria e, como de costume, voltaria com mais intensidade no final da noite. Assim: exatamente como agora.

Quando começou a perceber de volta o seu corpo estátua na cama, recobrou a consciência de que deveria dormir. Não adiantaria ficar pensando ou remoendo pensamentos solitários. Derramou algumas lágrimas no travesseiro e, com os olhos queimando, orou com intensidade pedindo que o dia seguinte fosse melhor... E que, por uma obra divina, esta tristeza acumulada no seu peito fosse levada embora o quanto antes, para que ela voltasse a se sentir bem consigo mesma quando estivesse só.

Sara Albuquerque.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Questões Nulas

Quando você perceber que o caminho não é tão fácil nem seguro, você vai resolver voltar ou estará ao meu lado até o fim? E se não for o que estava pensando? Caso eu te conte das minhas loucuras e te convide para compartilhar uma delas comigo, você, num momento de lucidez, jogará minhas ilusões malucas “na minha cara” ou irá respeitar meu jeito puro de imaginar? Quando você crescer, será igual a mim ou quererá que eu seja igual a você? Se eu quiser chorar e passar quatro dias seguidos sem falar contigo, atender telefonemas ou demonstrar carinho, você aguentaria? Se eu deixasse pra lá... Se pisasse na bola... Se não corresse atrás? Se eu não te desse a certeza de um amanhã feliz? Até onde mesmo você iria por mim?

Sara Albuquerque.

Relatório de Estágio do MPT/AL

A prática de estágio é momento essencial na vida acadêmica, não só porque permite ao graduando em Direito a aplicação de seus conhecimentos jurídicos na realidade prática, mas também devido à possibilidade de identificação com a área de trabalho onde estagia. Eis o motivo pelo qual estou satisfeita com a atuação da Procuradoria do Trabalho.

O dia-a-dia da PRT alude a um aspecto diferenciado dos ramos do Poder Judiciário propriamente dito, dado o teor destes últimos ser dotado de extrema impessoalidade e até mesmo uma sinuosa distância com os membros da sociedade. Talvez, em virtude de a área trabalhista possuir uma autonomia com relação aos demais, sendo regida por princípios próprios, ou por seu aspecto abrangente de atingir a todos os indivíduos da sociedade (já que todos são trabalhadores ou empregadores), estas peculiaridades conferem uma característica mais humana ao ambiente do trabalho. Desta forma, a postura da Procuradoria do Trabalho frente ao seu público-alvo é sempre atenciosa, dotada de simplicidade e, principalmente, voltada à proteção dos interesses difusos e coletivos.

Este caráter, percebido pelos próprios membros da Regional, permite que o estagiário se sinta acolhido na Instituição, o que contribui significativamente para o bom desempenho das suas atividades. Sem dúvida, incluo-me neste rol de estagiários que, pela paixão cultivada ao direito do trabalho, fez com que eu desenvolvesse todas as funções do estágio com afinco, organização, aperfeiçoamento e, principalmente, profissionalismo e atendimento às críticas.

Reitero, como já exposto alhures, que toda a técnica e cognição adquiridas foram advindas de uma composição de fatores: a amplitude de materiais de pesquisa, o conforto do meio ambiente do trabalho, as boas relações pessoais com os servidores, membros, estagiários e terceirizados da Regional e o apoio sempre constante do Supervisor de estágio.

Ao todo, o meu período de estágio nesta Regional foi de 1 ano e 4 meses, o que sem dúvida deu azo para que eu me sentisse como uma molécula desta Instituição. A experiência do primeiro estágio é sempre marcante. Afinal, tudo que é novidade tende a causar certa ansiedade. Há o medo implícito no obscuro. Mas a oportunidade de aprender, de errar e de consertar os meus erros foi, sem dúvida, singular.



Sim. Refiro-me ao aprendizado não apenas jurídico – de fato, aprofundei meus conhecimentos acerca da processualística laboral e sua materialidade, por conseguinte – mas também pessoal. Lidar com processos, lembrando sempre que cada um deles representa vidas de pessoas diferentes, exige aptidão, celeridade, cautela. Lidar com as pessoas do ambiente de trabalho não é muito diverso dos processos, exigindo de nós, ainda mais, uma maior presteza, tranqüilidade e respeito às diferentes personalidades e opiniões. A isto chamamos de profissionalismo. Vivenciá-lo, na prática, embora sendo estagiária, foi essencial para minha formação como futura profissional do direito.

Ora! Não há que se esconder, ainda, a possibilidade de errar e consertar os erros. O estágio serve como uma forma de aperfeiçoamento daquilo que aprendemos na teoria. Errar faz parte. E admitir o erro é o primeiro passo para aperfeiçoarmos nosso trabalho, sempre em busca de melhor prestar serviços aos jurisdicionados e às pessoas em geral. Estou ciente de que concluo este estágio na PRT da 19ª Região com uma carga bem maior de conhecimentos do que quando lá adentrei, ao início do estágio.

Percebo, alfim, que o Direito de Trabalho, longe de ser um direito formalista, permite a aproximação do Ministério Público com a sociedade, já que os diplomas normativos apenas existem devido a esta. O Direito nasceu para a sociedade e não o contrário. Triste concluir que muitos órgãos judiciais, provenientes dos demais ramos jurídicos, compreendem esta premissa de forma invertida, inviabilizando muitas vezes uma Justiça mais célere e desburocratizada, em detrimento daqueles que se valem dela para verem efetivados os seus direitos, existentes, muitas vezes, somente na “letra da lei”.

Sara Albuquerque.




* Um pedacinho da conclusão do meu Relatório de Estágio (de um total de 10 folhas).