sábado, 7 de janeiro de 2012

O livro verde


Juntou tudo. Sensibilidade inata, TPM, ansiedade de concurseira e falta de dinheiro. Fui à Livraria como qualquer outro dia corriqueiro da minha vida. Impressiono-me com os mesmos livros, capas e sinopses e consigo paquerá-los tal como se estivesse os vendo pela primeira vez. É minha paixão. Aquele cheirinho de página nova, as letras saltitantes e ansiosas por leitores viciados, a grossura, o tamanho, a cor, o formato... E aquele livro, em especial, chamou-me a atenção. Era verde – apesar de já tão maduro, devido à vivência e experiência jurídica do seu autor. Li as 15 primeiras páginas, reli o sumário umas seis vezes. Sabia que era um livro importante e que me ajudaria bastante com os estudos para esta nova fase da minha vida. Eu o devoraria com fervor, rabiscos e marca-textos. Muito me assustei, contudo, com o seu preço: R$89,00 (oitenta e nove contos!). Encarei-o com sobriedade. Sabia que não poderia comprá-lo. O cartão de crédito (atrasado e “comendo” juros) dormia em algum lugar perdido da minha casa. Eu estava só com o cartão de débito – o único que utilizo há alguns meses, enquanto não regularizo minhas contas. Não era suficiente. Alisei a sua capa, em forma de despedida, e dirigi-me à prateleira, colocando-o no mesmo lugar de antes. Ele parecia cambaleante e, por isso, recoloquei-o de pé bem carinhosamente, para não amassá-lo ou machucá-lo de algum modo. Senti uma tristeza tomar conta do meu peito quando saí da loja. Silenciei um choro que, para muitas pessoas, nada significa porque ninguém sabe o que se passa aqui dentro. Tantas outras pessoas querendo roupas, calçados, maquiagem... Eu queria um livro. Enxuguei as lágrimas ainda nos olhos, evitando que elas pudessem cair, e me propus a pensar positivamente. Aquele era mais um empurrãozinho diante da minha luta diária em conseguir um emprego logo, logo, logo, logo. Lembrei-me da cartolina colada na parede do meu “quarto de estudos”, onde havia recortes de revistas e frases referentes aos sonhos que eu quero realizar. Dentre eles, lá estava um dos desejos: “comprar quantos eu livros eu quiser”. Encostei a cabeça no vidro do carro e acreditei que seria apenas questão de tempo. Peguei o livro de Direito Civil e meti-me a estudar, embora o automóvel ainda estivesse em movimento. A vida não é fácil.  Só me resta torná-la menos difícil honestamente... Estudando.

Sara Albuquerque.

1 Artesanato(s):

França. disse...

Prima, entendo perfeitamente tudo que quis dizer. Quando entrei na livraria cultura em SP, quis chorar. E chorei. Fiquei triste porque quis todos os livros e não podia comprá-los. Gente, eu queria um livro. E me sentia até um "boba". Muita gente ia cair na gargalhada quando soubesse disso. Mas eu queria um livro.

É tão bonita essa nossa paixão, não é? Infelizmente não podemos carregar todos os livros :~~